Análise do mercado: nuvens pesadas no horizonte e o sério risco de tufão no verão europeu

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A derrocada dos bancos europeus é apenas um sintoma de problemas estruturais mais sérios, fruto da combinação fatal de baixo crescimento, elevada dívida e deflação.

No Brasil, o bitcoin busca retomar o fôlego do início do mês, abrindo a semana com a cotação em torno de R$ 2300. O dólar segue oscilante entre ligeiras altas e baixas, fruto da atuação do Banco Central para conter a volatilidade cambial.

O mercado internacional passa por um movimento de consolidação pós-halving, com indicadores de tendência de alta caso rompa a resistência em torno de USD 680. Rompendo esse patamar sustentado por crescimento do volume, forma-se o cenário para subir até USD 780. Caso o suporte de USD 612 seja rompido, inverte-se a tendência e podemos buscar patamares em torno de USD 520.

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Para o mercado de bitcoin, a crise crescente no setor financeiro europeu tem tudo pra ser o mais importante vetor de valorização do preço nos próximos meses.

O maior banco da Europa, o Deutsche Bank, se posicionou na semana passada sobre a necessidade de um resgate emergencial para o setor financeiro europeu. O governo alemão tem se mantido fiel à postura de austeridade e se oposto ao clamor por mais um resgate ao setor financeiro, mas sabe que isso eventualmente será inevitável para evitar um colapso ainda maior.

Portugal e Espanha não se recuperaram da crise da dívida européia acumulada entre 2010 e 2012 e a Grécia permanece em uma situação perigosa. Na Itália, 17% dos empréstimos bancários são considerados de alto risco de insolvência, totalizando cerca de 300 bilhões de euros em crédito podre.

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Após o pânico provocado pelo Brexit, a libra teve a maior valorização semanal desde 2009, sinalizando confiança na capacidade de coalização do novo governo conservador liderado por Theresa May e na  economia britânica.

O volume transacionado em bitcoin na corretora de maior volume em euros, a Kraken, mais do que dobrou em junho e vem quebrando recordes consecutivos à medida que a turbulência se intensifica no continente.

Por sua vez, o mercado asiático teve uma semana de sinais bem contrastantes, com a maior desvalorização semanal do iene desde 1999. Historicamente, a estabilidade da economia japonesa sempre fez do iene um dos ativos de proteção mais importantes para os mercados globais.

A queda do iene fez com que as transações em bitcoin no Japão disparassem, com registro do recorde diário de transações naBitflyer, colocando a corretora japonesa no topo do ranking de volume.

Enquanto isso,  ares de otimismo sopram da China com o crescimento de 6,7% do PIB no 1º semestre, o que aponta para estabilização da economia local, retirando pressão sobre o yuan e postergando as ameaças de estouro da bolha de crédito e dos ativos de risco.

Nos Estados Unidos, Trump sobe nas pesquisas, com disputa agora empatada com 40% da intenções de voto para cada candidato, mas com Hillary Clinton sofrendo crescente rejeição, enquanto o discurso populista de seu oponente ganha força com o aumento das preocupações com o terrorismo.

O fator Trump será decisivo para o bitcoin à medida que as eleições de novembro se aproximam. Caso as chances do republicano falastrão aumentem, também crescerá a turbulência nos mercados, gerando riscos ainda desconhecidos.

A semana foi marcada pela atrocidade ocorrida em Nice e a tentativa de golpe de Estado na Turquia, aumentando ainda mais a temperatura na já combalida Europa e a tensão em relação à proliferação do terrorismo.

Essa conjuntura é a base do estudo recentemente publicado pela Juniper Research, projetando que o volume total de  transações em bitcoin pode ultrapassar 92 bilhões de dólares em 2016, um crescimento notável frente aos 27 bilhões de dólares em 2015.

CoinBr

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