Alunas denunciam professor por suposto assédio sexual e alegam omissão de direção da escola
Alunas denunciam professor por suposto assédio sexual e alegam omissão de direção da escola
Banda B
Um grupo de estudantes da Escola Estadual Avelino Antônio Vieira, no bairro Fazendinha, em Curitiba, realizaram um protesto esta semana contra supostos episódios de assédio sexual dentro da instituição. Eles alegam omissão da escola em relação ao caso.
O presidente do grêmio estudantil, que não será identificado por se menor de idade, contou para a reportagem da Banda B que algumas colegas procuraram pela representação, pra relatar que elas estariam sendo tocadas por um professor.
“As meninas falaram que o professor estava passando a mão na perna delas. Vieram meninas nos contando, chorando, que tinham sofrido isso e a pedagogia não tinha feito nada”, disse o estudante, em entrevista na tarde desta sexta-feira (25).
Os representantes dos alunos procuraram pela direção da instituição, para esclarecer os fatos, que teria sido negado, de acordo com o presidente do grêmio. “A direção disse que isso não tinha acontecido no colégio. Porém, uma professora disse que sim. E fomos cobrar novamente uma posição. Mas o colégio não deu uma posição pra gente”, afirmou.
Os estudantes, então, se reuniram esta semana para protestar, no intuito de ‘fazer barulho’, chamar a atenção da direção e obter respostas. Como mostra uma postagem no perfil no Instagram do @gremioestudantil34, na manhã da última quarta-feira (23) vários alunos foram para a frente da instituição, segurando cartazes e proferindo palavras de ordem.
“Isso foi só o começo. Muitos outros casos vão aparecer, como apareceram durante a manifestação. É muito importante que esse grupo que esteve aqui hoje esteja ciente do que está acontecendo, pra que a gente consiga chamar cada vez mais pessoas, para que este seja um local livre de assédio”,
declarou na ocasião uma manifestantes.
De acordo com o presidente do grêmio estudantil da Escola Estadual Avelino Antônio Vieira, o professor apontado pelas alunas teria sido chamado pela direção do colégio. “Mas ele somente trocou de turno. Se ele for um abusador, o turno não vai interferir”, disse.
Outro lado
A reportagem da Banda B entrou em contato com a Secretaria de Estado da Educação (Seed), para um posicionamento em relação ao caso, que retornou com a emissão de uma nota oficial. A pasta confirma a realização do protesto dos aluno e que está tomando providências em relação à denúncia das alunas.
“A Seed-PR esclarece que todos os encaminhamentos já estavam em andamento desde segunda (21), quando três estudantes relataram desconforto com relação a supostas atitudes e contatos físicos inadequados de um professor ocorridos na última sexta (18). Imediatamente a direção e equipe pedagógica acolheram as denunciantes (alunas novas na instituição) para ouvi-las e chamou os responsáveis para ciência do fato”,
diz o conteúdo.
Ainda conforme a nota, uma equipe do NRE Curitiba esteve na escola nesta terça (22) para ouvir o professor apontado pelas estudantes. Segundo informações da Seed, o docente “negou as atitudes de importunação”. A Secretaria confirmou a mudança de turno, “para evitar contato com as estudantes”.
A nota termina com a afirmação de que o NRE e a Seed seguem apurando o caso e “reforça a política de tolerância zero a casos de assédio, importunação ou a qualquer outra forma de violência dentro das organizações e escolas estaduais”.
Leia a nota da Seed na íntegra
Não procede a informação sobre “nada ter sido feito” pela direção. Segue nota oficial:
O protesto de estudantes em frente ao colégio Avelino Antônio Vieira ocorreu na manhã da quarta-feira (23). A Seed-PR esclarece que todos os encaminhamentos já estavam em andamento desde segunda (21), quando três estudantes relataram desconforto com relação a supostas atitudes e contatos físicos inadequados de um professor ocorridos na última sexta (18). Imediatamente a direção e equipe pedagógica acolheram as denunciantes (alunas novas na instituição) para ouvi-las e chamou os responsáveis para ciência do fato. Uma equipe do NRE Curitiba esteve na escola nesta terça (22) para ouvir o professor, que negou as atitudes de importunação – ele não deu aula nesta terça e foi trocado de turno para evitar contato com as estudantes.
Devido ao protesto, a patrulha escolar foi chamada para organizar o fluxo dos estudantes e garantir a segurança de todos e o dia letivo. A situação segue em apuração pelo NRE e pela Seed-PR, que reforça a política de tolerância zero a casos de assédio, importunação ou a qualquer outra forma de violência dentro das organizações e escolas estaduais.

